domingo, 12 de junho de 2011

Um ensaio sobre a corrupção, a hipocrisia e o egoísmo.

Atenção: Altas doses de revolta e ironia. Aprecie com moderação.


Do apartamentinho da gente muitas vezes não dá pra ver as coisas, não...

Falar de policia aqui no Rio de Janeiro é algo tão complicado como falar de pombagira dentro de igreja evangélica. Se você falar alto, pode ser considerado insulto. Ou apologia ao demônio.

Porém, quem é o demônio que está trocando tiros nas madrugadas frias em que você está dormindo embaixo das suas cobertinhas?

A policia do Rio foi tirada pra Geni há muito tempo...

Tacamos pedras, bosta e tudo mais... Aí quando um filme ou uma operação especial faz sucesso, a tiramos pra bailar. Arrotar pra Deus e o mundo que nossa policia é foda. É má. Impecável.

Aí no dia seguinte, bêbado, oferecemos uma propina pro guarda. Ele cobra mais. Aí você vai pro bar derramando seu ódio na corporação.

Hipocrisia.

Nunca vimos fitinhas azuis nos carros pra brigar por salários dignos para nossos policiais.

“O salário de um policial é um convite a corrupção”

A falta de caráter do povo também, acrescentaria.

Tenho nojo da hipocrisia que domina o mundo atual. A ignorância humana ganhou proporções universais. Até na lua já foi.

E sabe a diferença entre nós e um policial?

É que ele tem porte de armas.

Ele, por arriscar a vida diariamente, acha que tem o direito de te cobrar por isso.

Nós, por sermos ignorantes covardes e desarmados, achamos que ele deve ser o nosso herói. Só nosso, não dos outros. Um policial deve estar sempre pronto a me salvar, a ser gentil comigo, a liberar o transito pra eu passar, a não exigir nada por isso, afinal heróis não ganham salário.

Você é um hipócrita. Nós somos.

Não existe heroísmo. Existe trabalho, caráter, respeito e leis.

Heróis usam mascaras e tem superpoderes.

Nossos policiais usam uniformes e tem um dos piores salários do país.

Eu poderia estar dizendo isso tudo de professores. Poderia estar apoiando (aliás, estou) a causa dos bombeiros.

Mas, pensando bem, isso tudo é como a relação idosos e criancinhas.

ONG e gente disposta a ajudar criança tem a balde. Mas gente ajudando velinhos é mais difícil.

Professor, médico e bombeiro é fácil dar a cara pra ajudar. Policia e política é muito mais difícil.

Eu não acho que os policiais daqui são os fodões do universo. Mas acho que se tem gente na rua, com arma na cintura, com o dever de me proteger, mas que por ser humano pode se virar contra mim, no mínimo eu queria que eles fossem respeitados e bem pagos.

Se eu, no meu trabalho, não sou respeitado e ganho mal, admito, serei um bosta. Não vou me esforçar.

Se na sociedade o povo só tem reclamações e pedras pra tacar em mim, eu vou estar pronto pra guerra.

Então é muito simples:

1) Desrespeitar policiais (bombeiros, médicos e professores) é um crime. 2) Crime deve ser combatido. 3) O crime é combatido por policiais. 4) O criminoso é o sistema. 5)O policial é um empregado do sistema. 6)O sistema proíbe o policial de reclamar, desrespeito. 7) Voltamos ao numero 1.

Acrescente intolerância ou descaso do povo pro qual você presta o serviço. Junte duas ou três medidas de estresse. Antes de levar ao forno temperar com falta de preparação qualificada e acrescente situações adversas a gosto.



Enjoy.

domingo, 5 de junho de 2011

SEXO!

Você começou do sexo.

Não foi do “Era uma vez”, da cegonha, ou a sementinha que o papai colocou na barriga da sua mamãe. Ok, de certa forma até pode ter sido, mas a semente se chamava espermatozóide e ela não entrou pelo umbigo.

Coisa que nunca entendi completamente foi a discriminação do sexo.

Quero dizer, as pessoas falam de morte e de dor. São preconceituosas. Ofendem. Matam. E algumas até compram CD de axé. Tudo isso é discutido e comentado sem o mínimo pudor ou vergonha em qualquer esquina. Mas e o sexo, o que ele fez pra ser tão censurado?

E isso não é sobre você fazer, não fazer, fazer muito, fazer mal, fazer pouco ou fazer sozinho. Isso é sobre esconder o que é obvio.

Dizer coisas como “fazer amor” também, na minha ingênua e porca opinião, é umas das formas de censurar o sexo.

É o mesmo que mandar alguém ir tomar naquele lugar.

Todos sabem que o lugar em questão é o cu. E não, não serve ânus, orifício corrugado ou qualquer coisa assim. Se alguém te manda ir tomar, é no cu e ponto final.

Vejo falta de respeito e sinceridade como coisas diferentes.

Não to fazendo apologia a banalização da coisa. Acho que o sexo é algo intimo. Algo que fica entre as duas, três, quadro ou seja lá quantas pessoas participaram daquele ato. O que importa é aconteceu com eles, é assunto deles.

Coisas como entrar num elevador e falar: “Porra, ontem comi a Fulana! Teve uma hora que ele fez um negocio com as pernas que...” Enfim, talvez a Fulana não esteja de acordo em ter o seu trunfo do lance das pernas revelados assim, na cara de pau na frente de todos no elevador.

Mas se o cara, numa conversa amigável, comenta: “Ontem eu e a Fulana transamos” Isso é problema dele, ele é livre pra expor sua intimidade pra quem bem entender. Tomara que a Fulana também.

O que eu acho uma palhaçada é parar a frase no meio, quando chega a hora de falar de sexo. Ou evitar o assunto. Mas né, talvez a verdade seja que sexo não é assunto, é ação. Sexo não se fala, se faz.

Então, aqui, estou errado. Aproveitem um dia frio.