quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Nem se atreva a me dizer do que é feito o samba



A porta abriu e ela entrou devagar. A mesmice e monotonia da apresentação se apagaram diante da beleza que ela trazia encrava em sua pele alva.

Seus olhos vagaram pela sala em busca de um lugar vago. Neste instante não havia mais nada no mundo, a sala se apagou, as vozes eram zumbidos quase inaudíveis, o ar era mais um mero admirador de sua beleza.

O assento vago estava próximo a mim, ela caminhava em minha direção, sua sensualidade e graciosidade faziam da respiração desnecessária. Vestida em branco e verde uma deusa se aproximava.

Ela se sentou e respirou um pouco ofegante. Ela estava atrasada. Eu invejava aquele ar que entrava e saía dela em movimentos ritmados e hipnotizantes, eu queria ser aquele ar.

Nesses segundos em que estava a admirá-la uma certeza me dominou, era ela.

No momento em que sua respiração normalizou, ela olhou ao redor como que a procura de alguém. Pensei: Sou eu, é a mim que você procura.

Ela olhou pra mim e uma melodia de indescritível beleza saía de seus lábios:

- Com licença...

Meu corpo não era capaz de suportar tal torpor, minha alma decretou fim a minha razão, dominou-me com emoção e um sorriso a respondeu, ela continuou:

- ... Já começou há muito tempo?

Ela parecia preocupada, olhava ao redor, sua voz era um sussurro irresistível, respondi:

-... não se preocupe, acabou de começar... você não perdeu nada

Minha voz, também em sussurro, com certeza transbordava minha emoção e talvez por isso os olhos dela encontraram os meus e a prova da divindade estava ali, me prendendo. Seu rosto corou e meu coração explodiu no peito, não sei quanto mais ele agüentaria. Continuei:

- Ainda tem bastante tempo aqui... falta mais de uma hora

- ... Isso tudo?- O sussurro dela era cada vez mais baixo, como se o ar também lhe faltasse.

- Já quer ir embora?... nos deixar?- sorri pra ela e percebi que sorriu pra mim também apenas olhando em seus olhos, vi que ainda estávamos entrelaçados pelo olhar, percebi que ela podia ver minha alma tamanha a intensidade do seu olhar no meu ao responder no mesmo sussurro:

-Ir embora, sim... deixar, não...- Era a mim que ela não podia deixar, era recíproco:

- Creio que seja livre, pode fazer o que desejar. E o que deseja é sair daqui?

Minha voz transbordava todo o meu desejo. Ela me respondeu positivamente com um leve movimento com a cabeça e completou:

-... também... E você, o que deseja?



- Você

Um comentário:

Pedro disse...

nao eh q o leo ta virando homenzinho?

tah aumentando o nivel dos posts...


entao vo ter q parar de vir aki =/

ahuAHUhauA