quinta-feira, 12 de março de 2009

Começou cedo

Dizia-no que a morte leva a Deus aqueles que são bons e Ele queria por perto. Afirmam que a saudade era boa e que com o tempo ele ia entender isso, afinal era ele um bom menino.

Mas ele pensava: “Se bom eu sou, logo Deus irá me levar”. E pensando assim a saudade era o menor de seus problemas.


Era muito novo, pouco sabia sobre a vida e talvez por isso tomava como verdade tudo que lhe diziam. Isso não era de todo positivo, visto que o homem, que estuprou e matou sua mãe, também foi morto, o que pensar? Deus também o queria por perto?

Ele tinha na imagem do pai um exemplo, sempre quis ser igual a ele quando fosse grande. Porém era muito difícil entender o porquê do pai ter matado aquele homem, “Ele só fez com que a mamãe fosse até Deus!”

Um menino não sabe o que é morrer, um menino não entende a violência com que um estupro tira uma pureza ou uma razão. Mas um menino sabe que um pai sempre faz o que é certo, e um menino acaba querendo ser o pai.

...

Naquele dia ele queria muito sua mãe de volta, queria muito mesmo, era tudo que ele queria. Estava só, mais do que jamais esteve. Tinha 8 anos e seu maior desejo não era uma bicicleta ou uma bola, seu maior desejo era morrer.

Ele sabia que não poderia se matar, seu pai o havia ensinado que quem se mata não vai a Deus. Então o que lhe restava naquela manhã de chuva? O que lhe reatava naquele dia em que sua tia veio de tão longe pra dizer que seu pai estava morto? Chorar? Aquilo não trouxe sua mãe de volta há um mês atrás, certamente não ia ajudar agora.

Sua tia lhe disse que seu pai estava com Deus, porque sempre foi um homem bom. Então ele se perguntava: “Porque só os bons morrem?”
Enquanto todos lhe diziam que ele havia morrido em um acidente, sabia que era mentira, aprendeu com as historias do avô que armas não matam por acidente, alguém havia matado seu pai, assim como seu pai fez com aquele que matou sua mãe...

De repente tudo era claro, seu pai era bom, mas só venceu depois de matar, o mesmo teria ocorrido com aquele que matou sua mãe? Sim! Só poderia ser! Ele precisava matar pra ver Deus! Ele precisava matar pra ver sua mãe. Mas quem sua mãe teria matado?! Ela teria alguma fez feito isso? Ele não se importava, iria matar, iria morrer, iria ver Deus, iria estar novamente com sua mãe.

Sim, ele matou. Matou seu pequeno primo, não tinha se quer um ano completo. Foi fácil, afogou-o em uma bacia velha, parecia um acidente, acharam que ele morreu brincando. Agora era só esperar.

E ele esperou.

Depois que nada aconteceu, matou novamente, dessa vez um colega de escola de quem não gostava. Agora era só esperar.

E ele esperou.

Um senhor, matou com veneno, dessa vez por que achou divertido. Afinal, ele ainda estava esperando, e precisava esperar.

E ele esperou.

Aos 18 não lembrava mais quantos havia matado, não lembrava mais de seu pai, não lembrava de sua mãe, ele não lembrava mais de Deus. Ele não lembrava mais porque matava.

Não era mais criança, era adulto e precisava se virar.

- Ei! Me passa todo o dinheiro! Todo o dinheiro! RAPIDO!!

- Larga a arma! É a policia! Larga essa arma!

E ele estava largando.

- Espera! Eu já to largando! Já to largando! Espera seu policia! Espera, não atira!

E ele não esperou.

2 comentários:

Pedro Porra disse...

Then he finally saw God

Léo disse...

It be what he saw?